4 formas de contribuir com a comunidade LGBTQI+


Oi, gente! Meu nome é Tamara Soares, mas pode me chamar de Tams! Sou autora do livro Fangirlish, publicado pela Duplo Sentido Editorial.


Sendo junho mês do Orgulho LGBTQI+, a Vanessa S. Marine, editora da Duplo, me convidou para conversar um pouco sobre modos como eu (que sou bi/queer) ajudo a comunidade, e como essas maneiras podem ser feitas por qualquer um, inclusive aliados.

Antes de me perceber como parte da comunidade LGBTQI+ eu não pensava muito a respeito. Tinha amigos que eram parte da comunidade, mas nunca tinha parado realmente para estudar o assunto e entender a luta que, até aquele momento, era apenas deles na minha cabeça.


Foi só em meados de 2013 que decidi começar a procurar um pouco sobre o assunto (como se tivesse apenas uma pulga atrás da orelha), e foi em 2014 que eu decidi que era o momento de contar para as pessoas próximas a mim sobre as minhas descobertas a respeito da minha sexualidade.


Essa época é uma história totalmente entrelaçada ao momento em que eu me afirmei feminista pela primeira vez, e não consigo desvincular, hoje em dia, uma coisa da outra (digo, a descoberta da minha sexualidade a descoberta como feminista). Ambas fazem parte da minha identidade, e estou sempre procurando outras opiniões e fontes para entender melhor desse meio que faço parte e como posso contribuir mais com ele.


Digo isso para mostrar que, embora faça mais ou menos 7 anos que me entendo inserida nesse contexto, ainda assim eu tenho muito a aprender. Não só das coisas que dizem respeito a mim, como também às outras siglas as quais eu não pertenço.

Sem mais delongas, aqui estão as 4 maneiras que eu utilizo para ajudar a causa LGBTQI+ e que você também pode utilizar:



1. Ouvir (e como ouvindo eu fiquei menos intolerante)


Ouvir não é uma tarefa fácil. Eu mesma demorei um tempo para entender que nem tudo era um ataque pessoal a mim, e que quando alguém estava explicando da própria vivência, da própria luta, eu tinha que ter a humildade de entender que aquilo não era para me atingir.


Reconhecer os próprios privilégios é uma tarefa necessária nesse momento, e entender nosso lugar dentro dos espaços que estamos inseridos, também. Se eu não tivesse tirado tempo para ouvir e tentar compreender o que as pessoas a minha volta estavam falando, talvez eu não estivesse aqui hoje.


Ouvir o que outros têm a dizer nos ensina bastante sobre outras realidades. Além disso, contribui para o nosso processo de desconstrução. Ninguém cresceu ou se tornou completamente desconstruído. Isso é um processo, e, se ouvirmos o que os outros têm a dizer a respeito da própria realidade, fica mais fácil entender o outro.


Mas, às vezes, nós ouvimos algo e não concordamos com o que foi dito, né? Mesmo que a gente não expresse isso verbalmente na hora (e, sinceramente, tem coisas que a gente pensa em dizer que é melhor não dizer, principalmente se não tivermos certeza do que estamos falando). Muitas vezes, eu não entendia certos pontos de determinados assunto sobre a vivência das outras letras da sigla, e não sabia o que fazer com essa sensação, como lidar... Por isso, pesquisar sempre foi uma tarefa essencial para mim.



2. Pesquisar (e por que é necessário para construirmos nossas próprias opiniões)


Procurar em livros, em sites (confiáveis), conversar com pessoas que entendem de um determinado assunto... Tudo isso é necessário para que não sejamos pessoas que esperam que a informação chegue até nós.

Se podemos chegar até a informação, então por que não ir até ela? Em algumas situações, me questionava o porquê de não poder simplesmente perguntar para certa pessoa algo que eu sabia que ela tinha a resposta. “Se fulano é assim, por que não posso perguntar como é ser assim para ele?”, pensava.


Hoje em dia eu sei que tem pessoas que não se importam em responder certas perguntas, mas também sei que não é a obrigação de ninguém me educar. Então a minha dica é essa: sempre que você puder, pesquise antes. Quer entender mais sobre panssexualidade? Pesquise. Sobre mulheres trans? Pesquise. E por aí vai. Tem muita gente na internet falando sobre vários assuntos de maneira responsável.

Não chegue para uma discussão (no bom sentido) sem o mínimo de informação. Não espere que os outros te eduquem sobre coisas que você pode buscar em fontes (confiáveis), e não se contente só com a opinião dos seus conhecidos (afinal, nem todo mundo é igual, né?).


Se você sabe que uma pergunta vai ofender alguém, não faça essa pergunta. Existem outras formas de descobrir o que você quer saber sem machucar terceiros.



3. Doar (e como eu descobri que doação não se resume a retorno financeiro)


Doar (não só dinheiro, como conhecimento, tempo) ajuda. Eu sei que nem sempre temos os meios de ajudar em vaquinhas, que você provavelmente seja menor de idade e não tenha uma renda fixa. Por isso digo que, para aqueles que não conseguem ajudar financeiramente, existem outras formas de ajudar também. Seja assinando petições, doando roupas para instituições que cuidam de pessoas LGBTQI+, ou oferecendo algo que você sabe fazer (desenhar, cantar, fotografar) para divulgar projetos de pessoas LGBTQI+.


Assim como os outros dois tópicos, independente da forma que você fará sua doação, é necessário ouvir e pesquisar. Mesmo que isso dê um pouco de trabalho no começo, no fim valerá muito a pena tudo o que você irá aprender e a mudança que poderá acontecer já com pequenas doações.

Algumas causas que podemos ajudar de alguma das formas que citei nesse tópico:




4. Ser amigo (quem são as pessoas que compõe seu círculo de amizade?)

Olhe a sua volta. Perceba quem são as pessoas que fazem parte do seu convívio. Você tem amigos LGBTQI+? Depois de “sair do armário”, percebi que a maioria dos meus amigos eram, assim como eu, parte da comunidade. Alguns mais engajados, outros, menos. Mas percebi que eu tinha me cercado de pessoas que tinham algo em comum: tolerância zero à intolerância.

Ser amigo não é só querer ajudar nas horas de necessidade, mas trabalhar ativamente para que a sociedade seja um lugar mais seguro para outras minorias, um lugar mais tolerante.

Seus amigos fazem “piadas” homofóbicas, transfóbicas? Questione-os, questione a si mesmo, também, se optar por se manter calado diante dessas “piadas”. Nós não somos livres de defeitos, não somos imunes a pensamentos e atitudes problemáticas, entretanto é importante assumir responsabilidade dos nossos atos e admitirmos quando erramos.


É essencial questionar as pessoas à nossa volta quando elas fazem comentários que (com ou sem intenção) machucam pessoas. Ser amigo é estar ali não só pelos problemas, mas para as coisas boas também. É não usar seu amigo como um “totem” quando te acusarem de certos preconceitos (“Eu? Homofóbico? Imagina, tenho até um amigo gay!”. Não seja essa pessoa).

Amizade não é usar o outro como sua enciclopédia pessoal, também. Ter amigos e ser amigo são coisas complicadas, mas algo que melhora a vida de qualquer pessoa. Já dizia o poeta John Donne, “nenhum homem é uma ilha”.

Termino aqui com uma lista de pessoas que são amigas, conhecidas (ou meramente admiradas) por mim, que são LGBTQI+, e que têm um trabalho que vale a pena conhecer e compartilhar:


Esse post te deixou com mais vontade de se informar? Veja fontes para saber mais sobre o mês do orgulho LGBTQI+:


Feliz mês do orgulho LGBTQI+ para você!



Tamara Soares



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